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quarta-feira, 8 de junho de 2022

VISITA AULA E OFICINA DE BIOCONSTRUÇÃO DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DE CÁCERES - IEC

 SEMANA DO MEIO AMBIENTE NO NEPBIO PANTANAL

Nos dias 1º a 3 de junho recebemos a visita dos alunos e Professores do Instituto de Educação de Cáceres - IEC, para uma visita aula, oficina de bio-construção e passeio na trilha educativa na floresta de quintal.

Acolhimento e boas vindas as crianças.

Contando a história da família e da Casa de Cupim.

Entrando na Floresta de Quintal - Trilha Educativa.

Curiosidades e muitas perguntas na Trilha Educativa.

Sentidos, contato com a terra e com a pequena flora nascendo no quintal.

Conhecendo o Tratamento de esgoto das casas do NEPBIO/Pantanal,
 eficiente e sustentável. 

O interior das casas e as mudanças de hábitos e responsabilidades.

A hora do lanche 







domingo, 21 de março de 2021

MATERIA PUBLICADA PELA JORNALISTA LUANA SILVA SANTANA NA PLATAFORMA ALYK EM VOCÊ.

De nós para o Pantanal

A família De Paula reinventou seu modo de vida na maior planície alagável do mundo e transforma a realidade através da educação ambiental e sustentabilidade

Acesse a plataforma ALYK EM VOCÊ, por aqui.

O Brasil tem muitos corações, conhecer sua imensidão é abrir as portas de outros Brasis dentro do Brasil. O bioma Pantanal é o coração inundável, a maior várzea do mundo e foi neste lugar que Sandro, Suely, o filho Diego e a nora Josiane rescrevem a história de suas vidas, são quase 10 anos de aprendizado e educação ambiental.

A história dos De Paula mudou de direção em 2012, a vida no escritório parou de fazer sentido, o consumo excessivo se tornou motivo de questionamento. Essas angústias tomaram força, eles colocaram todas as cartas na mesa em uma reunião familiar e decidiram recomeçar de um jeito diferente.

Ao longo da vida acredito que todos nós recebemos um chamado da natureza. Foi o que aconteceu com nossa família.

 Diego de Paula

Sandro conta que o desejo inicial era de viajar pela América do Sul conhecendo novas culturais e modos de vida sustentáveis, mas esse plano terminou mudando após conhecerem a permacultura e a biocontrução. A permacultura sistematiza tecnologias antigas e atuais de várias áreas do conhecimento com o foco em sustentabilidade e se orienta por três princípios éticos: cuidar da terra, cuidar das pessoas e cuidar do futuro. Já a bioconstrução elabora ambientes sustentáveis com o uso de materiais de baixo impacto, adequação da arquitetura ao clima local e tratamento de resíduos. São geralmente técnicas simples que qualquer pessoa é capaz de executar.

A gente queria viajar o mundo, mas aprendemos que o mundo que a gente precisava, o mundo que a gente queria mudar era o nosso próprio mundo, na nossa casa.

  Sandro Paula

Uma propriedade adquirida pela família, em Cáceres, ainda em 2001 foi o grande palco da mudança, à época o objetivo era transformar o local em uma área de eventos e recreação para aluguel com um investimento familiar. Mas em 2012, os De Paula venderam casa, carro, deixaram seus empregos formais e foram morar em barracas na propriedade ainda sem nenhuma infraestrutura. Em um primeiro momento, familiares e amigos não entenderam o motivo da mudança.

A cidade de Cáceres, Mato Grosso, é uma área de transição entre o bioma cerrado e o pantanal. No período chuvoso algumas áreas ficam alagadas e são consideradas improdutivas por essas características. Construções convencionais de alvenaria também são um desafio a parte para esse tipo de terreno.

Várias técnicas de bioconstrução foram reelaboradas na construção da primeira casa, que foi batizada como Casa de Cupim. As técnicas foram adaptadas para a realidade do Pantanal, em três meses o local estava pronto. Uma segunda casa também está em desenvolvimento, a Casa Bambuba, onde vivem Diego e sua esposa Josiane.

Há cerca de três anos a família fundou o NepBio Pantanal – Núcleo Experimental de Permacultura e Bioconstrução do Pantanal – o Núcleo realiza workshops e recebe visitas de escolas e universidades. A plataforma blogspot foi a ponte para troca de experiências entre a família De Paula, pesquisadores e bioconstrutores de diversas partes do mundo. As trocas de experiências têm se intensificado e um dos parceiros defendeu uma tese de mestrado sobre as experiências da família com educação ambiental na Colômbia. 

Transformamos a nossa mudança de vida em uma forma de se tornar elemento multiplicador de conhecimento.

 Diego de Paula

Após quase uma década de mudança de vida a família De Paula diz que a maior aprendizado foi a humildade, o respeito a sabedoria popular e o poder de disseminar ações. Eles são, certamente, a mudança que tanto queriam ver no mundo.

Pandemia

O projeto se mantém financeiramente através de consultorias pagas e visitas guiadas, mas com a pandemia essa renda foi comprometida. Em 2019, mais de 1500 pessoas passaram pelo local. A agenda de 2020 foi cancelada e eles seguem se mantendo com economias e consultorias digitais. O NepBio é uma instituição familiar que não recebe recursos públicos ou privados, apesar disso a família está aberta a parcerias. Parte do material necessário na bioconstrução, como garrafas de vidro e latinhas são arrecadas em campanhas esporádicas que durante a pandemia não foram realizadas.

Ecovila Jequitibá do Cerrado e Hostel

Ser elemento multiplicador e agente de transformação é o lema da família de De Paula. Por meio de palestras de sustentabilidade e educação ambiental 8 famílias que tinham como o desejo de mudar de vida passaram a integrar o local. Duas casas já estão em construção e os moradores aderiram a ideia de batizá-las. As casas Lela e Manduvi são a materialização de um sonho antigo da família. O grande projeto para os próximos anos é a construção de um hostel na área.

Free Range Humans

Recentemente o projeto dos De Paula foi inscrito no concurso cultural pela jornalista Luana Santana e juntos conseguiram investimento financeiro para materializar sonhos. A plataforma Alyk nasceu inspirada nisso, ser elemento disseminador de ações.

A iniciativa Free Range Humans é promovida pela Cervejaria Corona e patrocina projetos que tem como objetivo mudanças de vida. A campanha já aconteceu em diversos países e deu origem a uma websérie no Youtube.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

UMA PRODUÇÃO DA EVELYNE BOCQUET .



A familia NEPBIO/Pantanal, agradece a generosidade e a grandeza da atitude da nossa "filha e irmã" Evelyne, em disponibilizar seu tempo e atenção ao nosso modo de viver simples mas com o pensamento elevado. Vivencia essa que temos compartilhado com toda a comunidade cacerense, bem como com a região pantaneira, sempre buscando ser a semente de transformação que o mundo precisa. Obrigados dos cupinzeiros. A natureza agradece.



sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

PROVOCANDO AÇÕES, VISITA AULA DA E.E. JOÃO FLORENTINO SILVA NETO


Recebemos no NEPBio/Pantanal a geração futura do Distrito do Caramujo/Cáceres-MT, uma turma animada, curiosa, cheios de vontade e sonhos. 
Na nossa conversa questionamos nosso comportamento com o espaço em que habitamos que diretamente nos afeta, com a intenção de buscar a solução de forma mais simples possível, o planeta com certeza já esta agradecendo. 
Provocamos a turma a serem a semente da transformação das futuras gerações, por que acreditamos que as mudanças já estão acontecendo dentro das pessoas, dentro do coração das pessoas, não dentro das lógicas das pessoas. 
E no final deixamos uma proposta aos Professores e ao Corpo de alunos da Escola Estadual JOÃO FLORENTINO SILVA NETO, como também a todas as familias da comunidade: transformar o Distrito do Caramujo em um assentamento humano sustentável, iniciando essa revolução dentro de casa, da escola, amando e tendo mais carinho com a terra. COMO FAZER?  Bom! Que tal perguntar pra essa turminha.









terça-feira, 26 de novembro de 2019

EDUCANDO PARA A SUSTENTABILIDADE, SOMOS RESPONSÁVEIS PELA NOSSA PRÓPRIA EXISTÊNCIA.

Visitando uma proposta de assentamentos humanos sustentável
Ecovila Jequitibá do Cerrado.
Um dia maravilhoso e produtivo no NEPBIO/Pantanal, reuniu uma turma sedenta de saber do Curso de Biologia da UNEMAT. Foi um convite a reflexão e a possibilidade de mudança de comportamento tendo como foco inicial dentro de nossas casas, junto com a familia, sendo responsáveis pela própria existência.


"O jeito que fazemos as coisas"  pode ser uma sugestão para repensar nosso modo de vida em todos os sentidos com o meio em que habitamos, por que somos, (entendemos assim), a semente que pode transformar e mudar, comportamentos, atitudes, respeito e por ai vai.  
Preparando a tinta de terra, peneira e pilão 


Registrando o momento final das atividades.

Pilando pedaços de terra para a tinta.

Mediadoras da oficina Sueli e Josy.



segunda-feira, 25 de novembro de 2019

GENTE CONHECENDO A GENTE.



No final de semana recebemos a visita da Evelyne Bocquet (Bélgica), que conheceu um pouco da história do NEPBIO/Pantanal e as casas de Cupim e Bambuba, bem como o florescer da nossa Ecovila. Trocamos experiencias e sonhos na possibilidade de tornar os ambientes humanos mais sustentáveis e conectados com a natureza. Ficamos felizes com a sua visita e energia empolgante que nos contagiou.
No site da Evelyne abaixo tem uma postagem do NEPBIO/Pantanal
https://e-luminescence.com/highlights/

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

AGRICULTURA: TRABALHANDO COM O AMBIENTE. APRENDENDO COM OS MURUNDUS.


CASA DE CUPIM Experiências
Diego Miguel Carioca de Paula (Carioca, D.M.P.) 19/10/2016
(Biólogo/ Bioconstrutor/ Técnico Agrícola)
NEPBio – Núcleo Experimental de Permacultura e Bioconstrução Três Biomas.

Agricultura: Trabalhando COM o ambiente. Aprendendo com os murundus.

O processo de transformar áreas degradadas e solos empobrecidos em jardins férteis e florestas ricas em biodiversidade permanentemente, com eficiência e baixo custo, exigem muito mais que correções de ph e aplicação de insumos. Aprendemos que não há maneira melhor de consegui-lo senão trabalhando junto com os processos ecológicos e variações estacionais da área e assim, observar, aprender e elaborar o melhor design para se encaixar na engrenagem que gera a vida em toda a sua abundância.
Inicialmente, quando o projeto Casa de Cupim foi implantado, e literalmente, nós fomos semeados na propriedade como novos integrantes desse ambiente (onde atualmente funciona o NEPBio/Pantanal) houve a  necessidade de colocar em prática todo o conhecimento, que tínhamos até então sobre agricultura, neste caso a convencional, para que pudéssemos conseguir prover parte de nossa alimentação no local.

Neste caso, o foco foi a construção de uma grande horta em forma de mandala. Trabalhamos então sobre princípios básicos de manejo de solo e aproveitando ao máximo os insumos do terreno, tais como esterco e material vegetal em decomposição (palhada, troncos, serrapilheira), fontes básicas de nutrientes para as plantas.
Desta forma conseguimos um resultado inimaginável, as terras que antes eram julgadas inférteis, pelos moradores locais, agora floresciam com quiabos, rabanetes, couve, alface, feijões, cenouras, ervas finas, abóbora e muito mais.








A ilha da Casa de Cupim

No entanto, dentro de todo esse trabalho que durou mais ou menos 5 meses para a elaboração do desenho, construção da mandala e estabelecimento das culturas, com irrigação e etc.,  não avaliamos um fator primordial para nossa região, que é um ecótono entre Pantanal, Cerrado e Amazônia.



Especificamente onde o pantanal é predominante existe um fenômeno essencial para o enriquecimento e manutenção desse ecossistema, o denominado Pulso de Inundação, que ocorre nos períodos mais chuvosos do ano, o verão, estas são as chamadas, cheias. Logo, como o pantanal é uma planície, esse evento natural altera toda a vida no entorno dos cursos d’agua, dessa forma não haveria melhor nome para caracterizar a fitofissionomia de savana, onde o NEPBio esta localizado, como Cerrado Alagável.
A estação das chuvas começou e descobrimos porque essa savana leva esse nome, um fator tão grande e tão importante, mas que não havíamos levado em consideração no inicio. Assim, da mesma forma que a água trouxe todos aqueles nutrientes que usamos para construir os canteiros ela transformou as plantas não adaptadas, neste caso todas as verduras que havíamos plantado, também em nutrientes.
Essa experiência foi absolutamente fantástica, pois nos ensinou muito a respeito dos ciclos do local, e como o ambiente muda drasticamente no decorrer do ano, seca extrema no outono e inverno (queimadas, terra rachada, sol intenso) e as chuvas fortes na primavera e verão (água por toda parte).
Enquanto a inundação subia e descia, durante semanas, tivemos bastante tempo para observar o entorno e como a vegetação dribla esse evento para sobreviver. Observamos então dois pontos fundamentais, o primeiro é que toda a planície que sofre inundação é coberta principalmente por capim (Plantas da família poaceae, as gramíneas) nesse caso o capim Andropogon sp., que por sua vez compreendem espécies indicadoras de solos ácidos e áreas que sofrem inundações passageiras.
O segundo ponto foi que toda a vegetação de grande porte, arbóreas, arbustos, lianas (cipós) e algumas ervas crescem sobre pequenos montes de terra, os chamados murundus (criados a partir de cupinzeiros, húmus de minhoca e matéria orgânica acumulada). Estes possuem os mais diversos tamanhos, são ilhas naturais de biodiversidade nesses campos alagáveis. As plantas que se desenvolvem sobre os murundus suportam a enchente e ainda retém a matéria orgânica trazida pela água, enriquecendo o solo.
A partir desses pontos, chegamos à conclusão de que se quisermos produzir alimentos sem altos custos, utilizando os processos naturais para tornar a área mais produtiva e abundante devemos nos inspirar do design da vegetação local, construindo e plantando sobre murundus. A partir desse principio passamos a construir nossos próprios murundus, aproveitando as poucas curvas de nível, de parte da propriedade, e criando corredores entre eles para que a água nos períodos de inundação pudesse fluir e depositar os nutrientes que ela carrega. Assim, só era necessário que déssemos o pontapé inicial, fazer a manutenção do sistema e deixar a natureza seguir seu curso.
Desta maneira iniciamos o processo de recuperação da área cujas queimadas e degradação sofridas, antes que chegássemos aqui, haviam diminuído sua produtividade e abundância. Com base nos princípios da agricultura sintrópica, estamos no inicio da introdução do sistema de sucessão, onde várias espécies se desenvolvem em conjunto para preparar o ambiente e melhorar o solo umas para as outras.
A mudança realmente foi radical, o solo esta ficando mais fértil, animais e insetos estão mais presentes e espécies vegetais de grande porte estão começando a se desenvolver por sementes que já estavam no solo somente esperando condições favoráveis, e a inundação que no inicio era considerada um “inimigo”, transtorno ou dificuldade, se tornou um grande aliado.
Resultado de imagem para casa de cupim ilhada"
Preparando murundus.